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“Não é normal crescer na periferia no meio de facções”, expressa livro publicado por estudante de jornalismo

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A estudante do curso de Comunicação Social da UFMA, habilitação em Jornalismo, Lara Souza, publicou o livro-reportagem “E Morreu mais Um: Banalização da Morte na Periferia de São Luís”. A obra reúne histórias que traçam o perfil de gangues desde a década de 90, os arruaceiros, até a divisão do tráfico de drogas pelas facções, nos dias de hoje, na capital maranhense.

O livro aborda, em quatro capítulos, narrativas que se passam nos bairros Vila Isabel Cafeteira, Vila Palmeira, Sá Viana e Maiobão com o intuito de não tratar a morte como algo normal somente por estar nas fronteiras das periferias.

“A mensagem central do livro é expressar que não é normal ter índices tão altos de mortes violentas maiores que países que estão em guerra, não é normal essa guerra urbana, não é normal crescer na periferia no meio de facções. Não deveria ser considerado normal a maior quantidade de homicídios no país serem de homens, pretos e pobres e não deveríamos banalizar a morte dessas pessoas como se ela não fosse um ser humano como qualquer um de nós”, contou Lara.

Há relatos, também no livro-reportagem, sobre a rebelião do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, as facções que comandam os bairros e as regras do mundo do crime.

“Tivemos dificuldade para encontrar personagens que pudessem contar suas histórias e tornou-se mais difícil porque não dispomos de muitas informações sobre a temática, como por exemplo, a carceragem feminina que não é publicada. Eu pesquisei inúmeros relatórios online de violência e, ainda assim, são dados pouco minuciosos”, revelou a estudante sobre os contratempos vividos durante a produção.

Como tudo começou…

O livro é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso, um projeto experimental, orientado pela professora Li Chang Shuen Silva. A obra também é fruto da disciplina Seminários de Jornalismo que a docente ministrou este semestre. Foram 18 meses de trabalho, entre a ideia inicial, a coleta das entrevistas, a redação e a entrega do produto final.

“No início, queríamos fazer um documentário, mas pensamos nas dificuldades de filmar pessoas em contextos de crime e nos riscos que elas não estavam dispostas a assumir. Dessa maneira, optamos pelo formato livro-reportagem que, para o jornalismo maranhense, em especial, é uma lufada de ar fresco na forma de contar uma história”, frisou Li Chang.

Segundo ela, a inspiração para o projeto foi os trabalhos de Daniela Arbex e Caco Barcelos, um jornalismo de profundidade com olhar humanizado sobre a história.

“Buscamos ao máximo evitar sensacionalismo, embora o livro cause sensações: as histórias incomodam o leitor e o fazem pensar sobre a realidade de jovens negros da periferia, que são as vítimas preferenciais de crimes violentos”, pontuou.

A obra “E Morreu mais Um: Banalização da Morte na Periferia de São Luís” está disponível digitalmente na plataforma da Amazon.

*Fonte: UFMA

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