Sem categoria

“É UMA AJUDANDO A OUTRA”, DIZ AGRICULTORA SOBRE TRABALHO EM HORTA COMUNITÁRIA DE MULHERES

“Eu tenho muito orgulho de ser mulher e agricultora”, diz Iraneuza Sá, 25 anos, enquanto colhe os últimos pés de alface que serão levados para a feira livre do Vinhais, em São Luís, cultivados por ela e outras agricultoras familiares.

São cerca de 50 famílias, a maioria chefiadas por mulheres, a tirar sustento da horta comunitária localizada no Cumbique, povoado de São José de Ribamar. Da terra brotam, além da alface, também rúcula, couve, cebolinha, cheiro verde, quiabo, maxixe, milho, feijão, vinagreira, macaxeira e muito mais.

“Aqui é um grupo, a gente se reúne e faz a divisão do trabalho”. Depois do plantio, vem a coleta e a separação das hortaliças, levadas para a cooperativa que faz a distribuição para feiras, supermercados e escolas, para o preparo da merenda escolar.

O trabalho, pesado, é suavizado pela amizade. “É bom trabalhar assim, aqui é uma ajudando a outra”, conta Iraneuza. Do cultivo de verduras e legumes, também floresce companheirismo e solidariedade. “Enquanto a gente trabalha, a gente fala da nossa vida também, e se ajuda”.

O perfil é o mesmo: mulheres arrimos de família, muitas delas mães, sem auxílio financeiro dos pais de seus filhos. “Mulheres que não se deixaram abater, que não deixaram os filhos pequenos trabalhar, que estão lutando para manter a casa”, completa Iraneuza.

A vivência coletiva despertou para a ação política. A agricultora também integra a Marcha Mundial das Mulheres, um movimento feminista e anticapitalista internacional, e o grupo de mulheres do Centro de Referência Estadual de Economia Solidária do Maranhão (Cresol).

“Comecei a pouco tempo e estou gostando da experiência”, conta. “Estou conhecendo outras mulheres, que se reúnem para realizar projetos juntas”, diz Iraneuza, que conhece a realidade do campo desde os 10 anos de idade, trabalhando ao lado da mãe.

Dona Neuza Sá Froz, 52 anos, transmissora do legado da agricultura às mulheres da família, opina: “Se não tiver a mulherada pelo meio, não presta. As mulheres é que são firmes”. Com Iraneuza, são quatro filhos, dois deles homens, que trabalham com o extrativismo de mariscos.

Para Iraneuza, a luta das mulheres ainda tem muito para avançar. “A gente precisa conquistar melhores salários. A mulher sempre ganha menos que o homem, mas a gente trabalha e ainda cuida da casa, cuida de filho. Devemos ter os mesmos direitos”, afirma.

Mas há evoluções. “Hoje temos mais visibilidade, conquistamos mais espaços na área do trabalho. Antes, ninguém enxergava a mulher, a gente só servia para cuidar da casa, da família”, opina.

“Antigamente, as mulheres eram mortas tragicamente e não se fazia nada. Hoje, já se debate que isso não pode”, reflete Iraneuza. “É bom que a gente continue a falar sobre isso, para que as gerações futuras venham ter uma visão diferente do que é ser mulher, e do que a mulher representa na sociedade”, conclui.

“Quero parabenizar todas as mulheres, principalmente as agricultoras familiares”, declara. “Que a cada dia mais as mulheres possam se erguer e conquistar os seus objetivos”, diz Iraneuza.

*Fonte:MA.gov

Categorias:Sem categoria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.