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Número de ambulantes no centro de São Luís aumenta 30% durante pandemia

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O combate à Covid-19 é a prioridade, mas, com o afrouxamento das medidas de isolamento social, o ordenamento urbano na Rua Grande – principal via do comércio na área central da capital maranhenses – “caiu ladeira a baixo”. Quando o isolamento ainda não tinha sido flexibilizado, já era possível se deparar com “camelôs” por toda a extensão da via. À medida que as pessoas voltaram a circular pelo logradouro, os comerciantes informais se multiplicaram, em decorrência, principalmente, da crise econômica. De acordo com o Presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes e Similares de São Luís, Carlos Cunha Santos, antes da pandemia, a capital maranhense tinha mais de mil camelôs. Atualmente, Carlos diz que contabiliza um aumento de 30%.  

Segundo Carlos Cunha, antes do novo coronavírus se alastrar pela cidade, havia 1.500 vendedores ambulantes, na região central de São Luís, tendo como principais espaços a Rua Grande, Rua de Santana, Rua da Paz, Mercado Central e a Avenida Magalhães de Almeida. “O fator desemprego foi fundamental para este crescimento nas vendas informais. Quem ficou desempregado, e não tem curso de especialização em alguma área, recorre à atividade de vendedor ambulante”, informou Carlos.

Miscelânea

Os artigos do momento, claro, são máscaras de proteção. Mas, especificamente na Rua Grande, os camelôs oferecem todo tido de produto imaginável. Há caixa de isopor com água bem no meio da via. Entre um banco e outro, uma “vitrine” de pulseiras de miçangas, lã, e couro sintético, expostas em uma estrutura feita com canos de plásticos. Os eletrônicos também têm espaço: controles remotos e antenas para televisores, brinquedos, película para celular, além de artigos de vestuário. 

Nesta semana, O Imparcial verificou in loco a atuação dos vendedores ambulantes, na Rua Grande. Durante a reportagem na via, foi notado um carrinho de mão ocupado por máscaras de proteção, sendo que de um lado havia uma tela com pares de meias, além de roupas sobre um lona preta; e, do outro, vários pares de sandálias de borracha expostos no chão coberto por um plástico transparente. Um pouco mais à frente, na mesma calçada, roupas eram exibidas em araras. 

Há muitos informais que aproveitam de áreas frontais às lojas, quando estes estabelecimentos ainda não iniciaram o expediente do dia. Outros camelôs utilizam fachadas de imóveis comerciais, que estão definitivamente fechados e desocupados, para comercializarem seus produtos. 

“A rua se transformou em um ‘brechó de roupa nova ao ar livre’. Só não vi sapatos e maquiagem, mas todos os itens quem quiser pode comprar sem precisar entrar numa loja. Calcinha, perfume, roupa de banho, camisa de time, utensílios para cozinha, e até óculos com grau. Tudo isso é vendido por ambulantes”, disse uma promotora de vendas, que trabalha na Rua Grande e preferiu não informar seu nome. 

Quem cumpre as “regras de ouro” contra a Covid-19? 

Há vendedor ambulante com máscara no queixo, em vez de usá-la para cobrir a boca e o nariz. A categoria também não respeita o distanciamento social, pois há muitos ambulantes que trabalham vendendo suas mercadorias próximas de produtos de outros vendedores informais.  

Enquanto isso, as lojas só podem funcionar se seguirem normas de higienização, como exigir dos clientes o uso de máscaras, fornecer o acessório a funcionários, disponibilizar álcool em gel e limitar o atendimento para que não haja lotação. 

“Como vamos nos manter distantes uns dos outros, se aqui falta espaço para tantos camelôs?! Resolvi vender roupas para conseguir comer todos os dias e pagar meu aluguel. Não sobra dinheiro para nada além disso”, lamentou Josias de Assunção Freitas.  

Entre os lojistas, sobram reclamações. “Não acho justo o governo ter segurado tanto para abrir e o espaço público agora estar desorganizado. Os ambulantes prejudicam a entrada de consumidores nos estabelecimentos, sem contar que é uma concorrência desleal”, disse o gerente de uma loja de departamento de utensílios domésticos e itens variados, na Rua Grande. 

Fiscalização

A fiscalização, assim como antes da crise do coronavírus, parece não dar conta. Não há notícia de que a Blitz Urbana tenha feito alguma ação, após a reabertura do comércio de São Luís, na Rua Grande. A última informação que chegou à imprensa sobre atuação do órgão no local foi ainda durante a interdição da via, em março, na coibição da abertura de lojas, e comercialização de produtos por parte dos vendedores ambulantes.

Fonte: O Imparcial

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