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JK Rowling lança livro sobre serial killer cis que veste roupas femininas

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Será lançado amanhã no Reino Unido “Troubled Blood”, o quinto volume da série de romances policiais que JK Rowling escreveu sob o pseudônimo Robert Galbraith. No novo livro, o detetive Cormoran Strike investiga o caso de um assassino em série — um homem cis — que veste roupas femininas para matar mulheres cis.

O enredo chama a atenção diante das declarações transfóbicas da autora. “Me pergunto o que os críticos da posição de Rowling sobre questões trans vão achar de um livro cuja moral parece ser: nunca confie em um homem de vestido”, escreveu o crítico literário Jake Kerridge em sua resenha para o jornal britânico The Telegraph.

A notícia rendeu críticas à autora. Para a pedagoga Ana Flor, JK Rowling está “corroborando e reiterando um imaginário social de mulheres trans e travestis como criminosas”.

Um usuário do Twitter relembrou o caso da assassina russa Irina Gaidamachuk: “É impressionante como essa ideia fixa de ‘serial killer travesti’ é um clichê, considerando que… Nunca aconteceu? Tipo, a polícia russa até já falhou em capturar uma serial killer mulher cis porque estava convencida de que se tratava de uma travesti…”

“Em termos de Harry Potter, a JK Rowling virou o Cornelius Fudge, se recusando a acreditar que estava errada o tempo inteiro e redobrando sua transfobia.”

“Tem muitas coisas patéticas sobre o novo romance policial ‘homem cis de vestido comete crimes’ da JK Rowling, mas uma das principais é que essa autora que se considera uma mestre do mistério realmente reciclou o enredo de Ace Ventura.”

O segundo livro da série, “O bicho-da-seda”, foi criticado por apresentar a personagem Pippa, mulher trans descrita como “instável e agressiva”.

Após atacar o detetive, ela é presa no escritório dele, onde seu nome de registro (o “antigo”) é revelado. A autora, então, descreve seu pomo de adão e mãos. O personagem principal diz que a prisão não será divertida para Pippa, “não antes da operação”.

A jornalista trans Katelyn Burns comentou esse trecho na revista Them: “É um clichê muito comum, apesar de ofensivo, sobre mulheres trans — de que elas são agressivas e incapazes de superar sua natureza masculina e vilã — isso é muito comum com autores cis com conhecimento superficial sobre pessoas trans”.

*Fonte:UOL

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