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A inflação oficial no país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 1,16% em setembro na comparação com agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas a inflação que os consumidores “sentem no bolso” é bem diferente das estatísticas divulgadas mês a mês pelo órgão de pesquisas.

Isso porque, enquanto no IPCA é avaliada uma cesta de mais de 300 produtos e serviços no país, a inflação pessoal depende de fatores como hábitos de consumo, renda e número de pessoas que moram na mesma casa.

Se o que o consumidor costuma comprar não subir mais que a média, o impacto para ele será menor em comparação com aquele que está consumindo justamente a cesta de produtos e serviços com maior variação de preços.

As famílias de menor renda, por exemplo, dedicam parcelas maiores dos gastos à alimentação. As com maior renda reservam boa parte do orçamento para educação, saúde e lazer. Quem tem carro, por exemplo, vai sentir mais no bolso a alta da gasolina. Quem come mais carne vai sentir mais se esse produto subir.

“É por isso que a inflação tem um peso diferente no dia a dia de cada um. Ela pode ser percebida através dos reajustes anuais nas mensalidades escolares, nos produtos mais caros no supermercado e no aumento nas contas de consumo, como água e luz, por exemplo”, explicou a educadora em finanças pessoais, Carol Stange.

Por isso, os dois especialistas afirmam que é importante os consumidores serem capazes de calcular a sua ‘inflação pessoal’.

Fazendo as contas

Da mesma forma que o IBGE calcula o IPCA comparando a variação dos preços de um período para outro, os consumidores podem anotar todas as suas despesas para saber quanto e em quais itens eles estão gastando mais.

  • também as refeições fora de casa.
  • Habitação: itens como água, energia elétrica, gás e aluguel.
  • Artigos de residência: itens como mobiliário, eletrodomésticos e eletroeletrônicos.
  • Vestuário: itens como roupas, calçados, joias e bijuterias.
  • Transportes: itens como combustíveis, transporte público, passagem aérea e despesas com automóvel.
  • Saúde e cuidados pessoais: itens como despesas médicas, medicamentos, plano de saúde e produtos de higiene e beleza.
  • Despesas pessoais: itens como cabeleireiro, hospedagem, recreação e empregado doméstico.
  • Educação: itens como mensalidades de escola, cursos e material de papelaria.
  • Comunicação: gastos com itens como telefonia, internet, streaming e TV por assinatura.

2) Os gastos precisam ser anotados por dois períodos seguidos (que podem ser meses ou anos), para ser possível a comparação.

3) A partir disso, é possível colocar os gastos dentro de cada classe de despesa.

4) As despesas de cada grupo devem ser somadas em cada período (fazendo uma coluna para as despesas do primeiro período e outra para as do segundo).

Com esses cálculos, você saberá onde gastou mais e onde as despesas aumentaram mais – e onde é possível cortar para manter o orçamento em dia.

Nas duas simulações, a variação de 9,8% no total de gastos é bem maior que a do IPCA. Nos gastos mensais, enquanto a inflação oficial de agosto para setembro ficou em 1,16%, no acumulado de janeiro a setembro foi de 6,9%.

Braz explica que no IPCA entra a média de tudo que o IBGE avalia na pesquisa. Quando vai para as famílias, é a inflação real, que depende dos hábitos de consumo e do nível de renda de cada uma.

O economista explica que, dependendo da família, a inflação de um mês pode ter a mesma variação do IPCA acumulado em 12 meses, assim como é possível encontrar inflação real menor que a oficial, porque depende da renda, dos desafios da família e dos hábitos de consumo.

Famílias de baixa renda sentem mais a inflação

Quando se analisa a inflação para famílias de baixa renda, devido à prioridade dada para itens essenciais como alimentos e contas de água e luz, que estão entre os que mais têm pressionado o IPCA, esse grupo é o que mais sente a alta dos preços.

Nesse caso, a divisão das despesas para controle dos gastos será distribuída por menos grupos de despesa, já que a população de baixa renda costuma gastar seu orçamento principalmente em alimentação, habitação, transportes e comunicação.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os mais pobres gastam cerca de 30% do orçamento com alimentos, enquanto as famílias com renda mais alta gastam em torno de 10%. Com um orçamento maior, parte do dinheiro das famílias mais ricas vai para gastos que famílias mais pobres não têm acesso, como plano de saúde e mensalidade escolar.

Anotar gastos ajuda no controle do orçamento

De acordo com Braz, o consumidor pode anotar os gastos em um caderno ou numa planilha de Excel para monitorar o orçamento e a evolução dos custos. “As pessoas precisam controlar os gastos e ter visibilidade e isso só acontece com a anotação do que está sendo consumido. Quanto maior a precisão da anotação, mais a família tende a fazer um bom controle do seu orçamento”, diz.

De acordo com Braz, fazer a variação dos gastos é descobrir onde estão os gargalos no orçamento, ou seja, onde se gasta mais, se aquilo é normal ou não. “Muita gente tem conta em débito automático e não confere. Pode ser que tenha um vazamento e a pessoa está pagando por algo que nem está consumindo”, afirma.

Outra dica do especialista é deixar as contas de consumo como água e luz visíveis para toda a família ver e conscientizá-la da importância de economizar.

“O que importa é saber bem onde você está gastando seu dinheiro e ter tudo sob controle. Ao fazer um bom inventário dos seus gastos, você diminui as despesas que estão mais altas e faz uma boa gestão do orçamento familiar”, aponta o coordenador da FGV-Ibre.

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